Pé no Freio em 2025: Veja as principais tendências de crescimento no setor em 2026
O ano de 2025 marcou o fim de um ciclo de expansão ininterrupta que vinha desde o início da pandemia. Pela primeira vez em cinco anos, o mercado de reposição automotiva registrou retração no faturamento anual.
Na contramão das expectativas iniciais, que previam um crescimento de 8,34%, o ano de 2025 terminou com uma queda acumulada de 3,58%.

O que torna esse cenário intrigante é que os indicadores operacionais, que geralmente ditam o ritmo do setor, permaneceram positivos. O recuo não foi causado pela falta de demanda potencial, pois a frota circulante operou com crescimento positivo de 1,64% na linha leve e de 2,77% na linha pesada.

Frota brasileira em circulação
Já a distância percorrida pelos veículos, indicador que mensura o nível de utilização dos carros, na linha leve, manteve-se estável, crescendo 0,28% em relação ao ano de 2024, enquanto na linha pesada houve um crescimento de 3%.
Se há mais carros nas ruas e eles estão rodando, por que o faturamento caiu? A resposta está no comportamento de consumo e no “bolso” do brasileiro.
De acordo com dados da Aftermetrics, o ticket médio das peças adquiridas pelas oficinas sofreu uma queda deflacionada de 2,97%. Porém, diferente da interpretação literal, isso não significa necessariamente que os preços baixaram, mas pode ser um indicativo de fortalecimento de dois movimentos estratégicos:
1. Migração para marcas econômicas: Peças de menor valor agregado ganharam espaço sobre as marcas premium. Além da questão do preço, é crucial que as grandes marcas, em particular, revisitem suas estratégias de produto. Elas precisam avaliar até que ponto a prática de “embalar” mercadorias importadas tem afetado a percepção de valor de seus produtos de core business.
2. Conflito de Canais: O conflito entre distribuidores e varejistas dinamizou o acesso aos mesmos produtos, comprimiu margens e facilitou o acesso às peças com preços mais agressivos.
Além disso, o volume de peças por serviço despencou cerca de 12,63%. Mesmo com uma frota mais velha e rodando mais, o consumidor optou pelo “reparo essencial”, adiando manutenções preventivas ou complementares.

A reposição automotiva é uma demanda de necessidade
Entretanto, diferente de setores como o imobiliário ou o de bens de luxo, a reposição automotiva é uma demanda de necessidade. Uma peça não substituída hoje acabará falhando e possivelmente danificando outros sistemas. Isso gera um efeito cascata de manutenção obrigatória no futuro, o que, em tese, aceleraria a retomada do crescimento nos próximos anos.
A projeção atual indica que 2026 será um ano de recuperação, com crescimento estimado em 2,81% sobre 2025.
Contudo, o otimismo é cauteloso. Fatores externos, como as incertezas eleitorais, o impacto econômico de grandes eventos (Copa do Mundo) e as turbulências geopolíticas globais, permanecem como variáveis que podem alterar esse cenário ao longo do ano.
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