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Automação no mercado automotivo: velocidade com critério

No quinto episódio do Fraga Cast, a conversa com Diogo Gomes, uma das lideranças do CIT (Centro de Informações Técnicas) da Fraga, mostrou que automatizar vai além de ganhar tempo: é garantir que a informação certa chegue a quem vende e a quem repara. Quem trabalha com autopeças conhece o desafio. Todos os dias chegam […]
Max Benites – 2 de outubro de 2026 –

No quinto episódio do Fraga Cast, a conversa com Diogo Gomes, uma das lideranças do CIT (Centro de Informações Técnicas) da Fraga, mostrou que automatizar vai além de ganhar tempo: é garantir que a informação certa chegue a quem vende e a quem repara.

Quem trabalha com autopeças conhece o desafio. Todos os dias chegam ao mercado veículos, versões e produtos novos. Manter um catálogo com mais de 938 mil produtos com aplicações veiculares atualizado, padronizado e confiável não é tarefa que se resolva só no braço. É aí que a automação faz diferença.

Três frentes, um só padrão

Como foi explicado no episódio, a atualização acontece por três caminhos. No primeiro, o fabricante cadastra seus lançamentos em tempo real, com código, grupo, especificações e aplicações, e o produto fica disponível ao mercado na hora. No segundo, os clientes enviam a base de novos produtos em blocos organizados, com a imagem da peça, um detalhe que evita erros na venda.

O terceiro caminho parte do código original do fabricante do veículo para mapear quais peças atendem um modelo recém-lançado. Esse trabalho ganhou peso com a chegada dos carros chineses. Nos três casos, o objetivo é o mesmo: transformar informação dispersa em um padrão único.

A linguagem do balcão

Um dos momentos mais curiosos da conversa foi o “morceguinho”. O apelido é familiar para quem tem anos de balcão, mas pode confundir um vendedor iniciante. Para resolver, a equipe consulta seus analistas mais experientes, pesquisa com o apoio da inteligência artificial e registra essas denominações populares em um dicionário dentro do catálogo. Assim, quem busca pelo ‘morceguinho’ do veículo desejado encontra a peça correta: o suporte da barra tensora.

Onde a máquina ainda precisa do olhar humano

Um dos pontos destacados na conversa é que, hoje, não é possível entregar 100% da avaliação técnica à inteligência artificial. Um mesmo produto tem muitas variações, e detalhes como tipo de combustível, aspiração e cilindrada do motor definem se uma peça serve ou nãoDiante de uma vela de ignição indicada para dois veículos do mesmo modelo, mas com versões diferentes, é necessária uma análise técnica criteriosa para validar a aplicação em cada versãoMesmo com boas instruções, sempre haverá exceções, seja na forma de aplicar a peça, seja no momento da venda. Por isso, a IA entra como reforço: acelera a pesquisa, e a decisão final continua com especialistas.

Rapidez com qualidade de dados

Os ganhos aparecem em várias frentes: lançamentos disponíveis mais cedo, informação padronizada, menos retrabalho e mais segurança para quem está no balcão. A automação também transforma o dia a dia das equipes, que passam a contar com um método de conferência, mais capacidade de análise e mais espaço para ideias.

Os pontos de atenção são igualmente claros. Automação só entrega bons resultados se os dados de entrada forem bem estruturados, se houver validação técnica e se as exceções forem tratadas com cuidado. Velocidade sem critério gera erro; critério sem velocidade deixa o mercado esperando.

Por que automatizar é estratégico

O mercado de reposição automotiva lida com uma frota cada vez mais diversa. A cada ano chegam novas marcas, novas motorizações e tecnologias como a eletrificação, que ampliam o número de combinações entre peças e veículos. Nesse cenário, o volume de informação cresce mais rápido do que qualquer equipe conseguiria acompanhar manualmente.

A automação responde a esse desafio em três níveis:

  • Escala: processa grandes volumes de cadastros sem perder o padrão, liberando os especialistas para as análises que exigem conhecimento técnico.
  • Consistência: aplica as mesmas regras a todos os dados, reduzindo divergências de nomenclatura, códigos duplicados e informações incompletas.
  • Integração: dados estruturados alimentam com mais facilidade sistemas de gestão, lojas virtuais e plataformas de venda, levando a mesma informação a todos os canais.

O impacto chega à ponta. Uma aplicação errada significa peça devolvida, frete perdido, veículo parado na oficina e um cliente insatisfeito. Uma informação precisa, ao contrário, agiliza o atendimento, reduz estoques parados e fortalece a confiança entre fabricante, distribuidor, varejista e reparador. Por isso, investir em automação é investir na qualidade do dado, e qualidade do dado é, cada vez mais, vantagem competitiva.

Em síntese, como foi dito no episódio, automatizar serve para melhorar processos e entregar informação de qualidade a quem vive o mercado. Uma evolução que não é só de sistemas, mas também de pessoas.

Confira esse episódio na íntegra no Youtube, no Fraga Cast ou aqui embaixo:


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